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A maldição da Princesa Isabel

Maldição” significa “mal dizer”, “difamar”, algo que antigamente acreditava-se ser tão poderoso que ser amaldiçoado era muito pior que morrer. Afinal, calúnias e fofocas sobre nós atingem nossos filhos e descendentes, e não cessam nem mesmo com a morte.

Ao final de 2008, eu buscava inspiração para escrever meu novo livro, quando fui tomado por uma epifania, um pensamento que apareceu do nada em minha mente – como se alguém tivesse sussurrado três palavrinhas no meu ouvido. Tais palavras foram “a-última-princesa”. Fiquei com aquele sussurro orbitando meus pensamentos por várias semanas, sem saber o que significava, até consultar um oráculo, o Google, e descobrir que a última princesa que tivemos em nosso país havia sido Isabel. Aquela, dos escravos.

Lembrei-me das ruas, avenidas e escolas que levam o nome da Princesa, que batizou até uma cidade na Paraíba. De todas as vezes que peguei um ônibus identificado com a placa Terminal Princ. Isabel. E então percebi que não sabia onde ficava esse terminal – ou quem havia sido a princesa.

Imediatamente interessei-me pela sua história. E ler sobre sua vida, sua família, seu grande amor e, principalmente, seus inimigos, fiquei abismado ao perceber que ela também sofrera uma espécie de maldição. Um ano após assinar a Lei Áurea, a Princesa foi exilada junto à sua família, perdendo para sempre o trono para o qual foi preparada desde a infância para assumir. No exílio, viu a mãe morrer de tristeza. Pouco tempo depois, perdeu o pai, que mesmo tendo recebido homenagens de governantes de todo o mundo, teve o funeral ignorado em seu país de origem. A Princesa morreu muito tempo depois, sem nunca ter voltado para casa. E talvez o lado mais triste de sua história foi que ela acabou esquecida pelo próprio povo.

Afinal, o que a gente sabe sobre a Princesa Isabel? Sabemos o que ela fez, mas não imaginamos quem ela foi. Não fazemos ideia de sua rica história de vida, repleta de fatos curiosos e até engraçados, como a troca de noivos realizada com a irmã às vésperas de seu casamento. Ou que sua luta pela libertação dos escravos precede em décadas a assinatura da Lei Áurea.

Durante os 30 anos em que viveu na França, a Princesa conheceu outro brasileiro ilustre: Alberto Santos Dumont, um dos homens mais famosos da época. O simples encontro dos dois já é algo inacreditável por si só – pois em geral tem-se a percepção de que a Princesa viveu numa época medieval, enquanto Santos Dumont conviveu com nossos bisavós. Mas o fato é que eles se conheciam, sim – e costumavam se encontrar com outras figuras excêntricas, quase uma “Liga Extraordinária”, como o arquiteto Gustave Eiffel, o relojoeiro Louis Cartier, e – especula-se – o escritor Júlio Verne.

O primeiro encontro dos dois também é digno de uma cena de livro: o inventor literalmente caiu do céu, enquanto realizava os testes de seu balão nº 5 em Paris. Ele ficou preso numa árvore próxima à residência da Princesa, e ao saber do fato, a filha de D. Pedro II pediu que seus criados levassem um suntuoso almoço ao conterrâneo – com queijos, frutas e champagne – enquanto os bombeiros tentavam encontrar uma maneira de resgatá-lo.

E são essas histórias fantásticas que inspiraram meu novo livro, “A Última Princesa“, que considero um “conto de fadas histórico”, pois não se trata de um livro de História (com H maiúsculo). Tomei muitas liberdades no enredo, e os personagens sequer carregam os nomes de suas contrapartes reais. É um conto sobre dois sonhadores, uma princesa que se diz amaldiçoada e um aviador que não acredita em maldições determinado a levá-la de volta para casa. Pessoas que enfrentaram seus medos pelas coisas em que acreditavam, pagaram o preço e jamais olharam para trás.

Em “A Última Princesa”, não pretendo recontar a história do Brasil, mas sim, chamar a atenção das pessoas para essa personagem tão importante que não merecia ter sido esquecida. E, quem sabe assim, quebrar sua maldição.

O livro chega às livrarias no início de 2012, ainda sem data definida, e será minha primeira obra para o público jovem, pela Editora Record (valeu, Dudu!), com ilustrações de Mathiole. Avisarei a todos do lançamento por aqui, pelo Twitter e pelo Facebook. Aguardem!

Você a conhece. Só não se lembra dela.

Todos sabem como é a vida de uma princesa: cheia de luxos e mordomias, cercada de servos devotados sob o teto de um belíssimo castelo. Mas para a nossa protagonista, a Última Princesa de um reino encantado, esses mimos e riquezas são apenas os muros de sua prisão.

Banida de seu verdadeiro lar por um poderoso feiticeiro, a Princesa acabou esquecida pelo seu próprio povo. Enquanto sofre com saudades de sua terra natal, cultiva belas camélias em uma estufa em forma de palácio de cristal, ouve com atenção as histórias de seus servos e passa as noites sonhando com boas notícias que jamais chegam.

Até o dia em que ela recebe a visita de um misterioso inventor chamado Alberto. Criador de maravilhas tecnológicas, ele acredita que “inventar é imaginar”, e lhe apresenta um mundo mágico, com animais mecânicos que cantam e dançam e uma casa encantada que surge nos lugares mais improváveis. O sonho mais ambicioso de Alberto é construir a Ave de Rapina: uma máquina mágica capaz de libertar sua Princesa… mas, para isso, ela também precisará enfrentar seus medos e quebrar sua maldição.